A espetacular chuva de meteoros geminídeas acontece todos os anos em meados de dezembro e é resultado do planeta Terra cruzar o rastro da órbita do enigmático asteroide (3200) Phaethon.

Em dezembro de 2017 o asteróide esteve bem pertinho de nós. Passou pela constelação de Andrômeda nos dias 14, 15 e 16. No dia 16 de dezembro o asteróide 3200 Faetonte chegou a sua aproximação máxima da Terra, chegando a 10,3 milhões de km (sem nenhum risco de colisão com o nosso planeta, ufa!). O resultado foi um aumento da taxa de meteoros por hora, causada por esta passagem do asteróide. A chuva de asteróides ainda pode ser vista até o dia 17 (alguns astrônomos disseram que, embora depois do pico de incidência, ainda tivemos algumas surpresas com um aumento da taxa). Nos dias 17 e 18 de dezembro de 2017, o asteróide seguiu seu caminho, passando pela constelação de Pégaso. Depois desta aproximação (de 10,3 milhões de km) uma aproximação maior ainda acontecerá em 2093, somente, quando irá passar a diminutos 2,9 milhões de km da Terra ou 0,019 au (unidades astronômicas). Será uma espetacular aproximação.

Órbita do asteroide 3200 Faetonte
Órbita do asteróide (3200) Phaethon

As chuvas de meteoros Geminídeas, que atingem o pico em meados de dezembro de cada ano, são uma das melhores e mais confiáveis chuvas de meteoros anuais. Mas elas não começaram assim. As Geminídeas começaram a aparecer em meados do século XIX, mas os primeiros chuveiros não foram dignos de nota, gerando apenas 10 a 20 meteoros por hora. Desde então, as Geminideas se tornaram uma das maiores chuvas de meteóros do ano.

Durante seu pico, 120 meteoros Gêmeos podem ser vistos por hora. As Geminideas são agora considerados por muitos como a chuva anual mais consistente e ativa. As Geminideas são melhor visualizadas durante a noite e antes do amanhecer, e são visíveis em todo o mundo devido a sua duraçã máxima de quase 24 horas. Esta chuva é das melhores oportunidades para os jovens espectadores, uma vez que começa por volta das 9 ou 22 horas. Os meteoros desta chuva estão em movimento lento e geralmente atingem o pico entre os dias 13 e 14 do mês. O radiante – o ponto no céu do qual as Geminídeas parecem vir – é a constelação de Gêmeos. Os meteoros viajam em velocidade média em relação a outras chuvas, a cerca de 35,4 Km por segundo, tornando-os relativamente fáceis de detectar. As Geminideas são brilhantes e tendem a ser de cor amarela, mas com variações multicoloridas. Também são conhecidas por suas espetaculares bolas de fogo, explosões maiores de luz e cor que podem persistir por mais tempo do que a média de um meteoro.

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Chuva de meteoros Geminídeas fotografada

Ao contrário da maioria dos chuvas de meteoros que se originam de cometas, as Geminideas se originam de um asteróide: (3200) Phaethon. Phaethon (ou Faetonte) leva 1,4 anos para orbitar o sol. É possível que Phaethon seja um cometa morto ou um novo tipo de objeto chamado “cometa de pedra” (Rock Commet). A órbita altamente elíptica de Phaethon, em forma de cometa, em torno do Sol dá credibilidade a essa hipótese. No entanto, os cientistas não estão certos de como definir Phaethon. Não desenvolve uma cauda cometária, e seu espectro parece o de um asteroide rochoso. Além disso, os fragmentos que se separam para formar os meteoróides Geminídeos são várias vezes mais densos (2-3 g / cm3) do que os demais flocos de pó cometários (0,3 g / cm3).

O Phaethon ou Faetonte é um asteróide com cerca de 5,1 km de diâmetro e pertencente ao grupo Apolo (objetos que cruzam a órbita da Terra) e é categorizado como um Asteróide Potencialmente Perigoso (PHA), mas isso não significa que haja uma ameaça a curto prazo de um impacto. O “enigmático” revelou anos atrás a sua natureza única, ao exibir uma cauda semelhante a dos cometas, o que confere ao astro características pouco usuais podendo mesmo ser um cometa que perdeu seu material volátil.

O seu nome está relacionado com uma lenda grega: A Lenda Grega de ‘Faetonte e o Carro do Sol’.

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A Queda de Faetonte

Segundo a mitologia, Hélios prometeu à ninfa Climene, quando nasceu Faetonte, jamais recusar um pedido de seu filho e confidenciou lhe o caminho para chegar ao seu palácio. Na lenda grega Faetonte foi morto por Zeus com um raio por “aprontar” com a carruagem do seu pai, Hélios ao dar uma “rápida voltinha”.

Um dia, Faetonte desafiado por Épafo (filho de Júpiter e de lo), pediu a seu pai Helios (Sol) as rédeas do carro do Sol. O pai inicialmente recusou, mas com a promessa feita à ninfa Climene acabou por ceder, dando-lhe a indicação de que rota deveria seguir. Os cavalos alados do Sol percebem imediatamente a mudança de condutor e desviam do caminho. Faetonte sem controle da carruagem alada não conseguiu manter a rota, ora subindo demasiado e provocando oscilações nos astros, ora descendo e podendo provocar destruição na Terra, com uma incrível velocidade. Faetonte foi envolvido num calor infernal por causa da alta velocidade.

A fim de prevenir uma tragédia com os astros, Zeus, o deus dos deuses, foi obrigado a fulminá-lo com um raio. Faetonte despencou do céu, caindo no Rio Erídano (nome de constelação Eridanus, que está do lado da constelação de Órion), extinguindo o seu fogo. A carruagem foi destroçada e os cavalos alados enlouquecidos foram lançados nas profundezas do mar. As Heliades, suas irmãs, filhas também do Sol e de Climene, quais chamavam-se Lampésia, Faetusa e Febe – nome de estrelas da constelação, choraram a morte do único irmão por quatro meses.

Destino estranho para quem deu “uma voltinha” com o carro do pai… 😜

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Hélio (a personificação do Sol) e sua carruagem

Nota: Hélio é a personificação do Sol na mitologia grega. É filho dos titãs Hiperião e Teia, tendo como irmãs Eos, o amanhecer, e Selene, a Lua. Helio foi casado com Perseis, filha de Oceano e Tétis. Com ela, teve vários filhos, entre os quais Eetes, Circe, Perses e Pasífae (que se casou com o rei Minos de Creta). Hélio também casou-se com Clímene e teve sete filhas, as helíades, e um filho, Faetonte. A sua cabeça é coroada por uma auréola solar. Circula a terra com a carruagem do sol atravessando o céu para chegar, à noite, ao oceano onde os seus cavalos se banham. Nada do que se passa no universo escapa ao seu olhar, sendo frequentemente convocado por outros deuses para servir como testemunha. Hélio conduz uma carruagem puxada por quatro cavalos luminosos cujos nomes variam. Eous e Aethiops são os nomes dos machos. As fêmeas, unidas por um jugo e são chamadas de Bronte, o trovão e Sterope, o relâmpago. Hélio também foi identificado com o deus Apolo. No entanto, apesar desse sincretismo, eles foram muitas vezes vistos como dois deuses distintos. O equivalente de Hélio na mitologia romana é especificamente o Sol Invicto.


Imagens:
1) Órbita do asteroide 3200 Faetonte;
2) Fotografia real da chuva de meteoros Geminideas;
3) A queda de Faetonte;
4) Hélio (a personificação do Sol) e sua carruagem.

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