O homem médio possui uma peculiar noção do tempo. Para ele, a percepção de seu cotidiano lhe indica que o tempo passa, corre para a frente em uma marcha e sentido inexoráveis, que nada nem força alguma no mundo pode interromper ou mudar esse sentido. Simplesmente intui profundamente que o tempo existe e transcorre, numa sólida ideia de que um evento acontece depois do outro obedecendo a uma linearidade irrevogável.

Para a física, o tempo é uma grandeza física escalar, ou seja, não necessita de um sentido e uma direção para ser representado, basta um valor numérico indicando que há um tempo numa determinada situação.

Albert Einstein, em sua famosa teoria da relatividade, redefiniu o universo newtoniano, indicando que as três dimensões da matéria estavam intrinsecamente ligadas ao que ele definiu como o “espaço-tempo”, o que, para alguns se transformou na quarta dimensão do universo. Criando o que, desde então, se definiu como “universo-einsteniano”. A partir dessa impressionante teoria, a face do mundo foi modificada, da mesma forma desconcertante que foi quando se descobriu que a terra era redonda e que não havia mais um “para cima”, posto que o zênite(*) agora era relativo ao lugar onde o sujeito observador se encontrava. E, então, após Einstein, o tempo também passou a ser relativo – e não caia na ingenuidade de duvidar da veracidade e poder dessa teoria, sintetizada pela célebre fórmula E=mC2(**), por mais que lhe pareça desconcertante, pois basta recordar da realidade destrutiva das duas bombas já atiradas contra parcela da humanidade, ou da energia elétrica que lhe está disponível a um toque de botão, oriunda das usinas atômicas -. Disse Einstein que em velocidades próximas à da luz “a massa se expande e o tempo atrasa”, tornando relativas as próprias concepções de energia, matéria e tempo. No entanto, essa notável teoria trouxe à tona uma nova (ou uma mesma) prisão: a de que existe uma velocidade limite no universo, qual seja a da luz, e que nada pode ir mais rápido que ela, nem mesmo as forças gravitacionais.

Assim foi novamente enclausurando o devaneio romântico do homem que continua irremediavelmente confinado ao seu próprio tempo de existência. Mesmo sendo este tempo particularizado por sua velocidade e posição, a ficcional viagem ao passado através do tempo permanece como uma impossibilidade.

Além da Física, outras áreas de estudo e outras ciências utilizam-se do tempo para tirar suas conclusões, como seria esperado ser. E, neste caso, o tempo toma outros significados, de acordo com a utilidade que o termo tem nestes estudos. Mas, perceba, que são apenas significados, pois parece que, em sua essência, a noção de tempo permanece  sempre constante.

Parece ser incontestável que o universo possui uma entropia(***) impulsionada pelo movimento (alguns diriam pelo movimento através do tempo) e que força alguma, nem mesmo o maior inimaginável acaso, consegue contrariar.

A verdade é que o conceito de tempo é algo ainda não definido por muitas destas áreas que o estudam.

Pense, entretanto, no tempo como sendo apenas o movimento – movimento das três dimensões dentro dessas mesmas dimensões – e perceberá que o tempo não existe, posto que o que existe de fato é apenas o transcorrer do movimento da matéria, energia e tudo que o universo contém. Nossa característica intelectual é que nos confere a ilusão perturbadoramente enclausurante  do tempo, atualmente cambiado por essa “nova” noção do universo.

Desde o movimento das cordas quânticas até dos objetos supermassivos, passando pelo movimento dos elétrons, dos fótons, do resultado de influência das forças eletromagnéticas e de influência das forças gravitacionais. Daí, entenderá que a entropia intrínseca ao movimento das coisas impossibilita alcançar o universo em seu “status quo ante”, pois o que foi nunca mais tornará a ser.

“E Deus movimentou o nada e criou o universo”.

—————
(*) zênite – Zênite é um ponto imaginário (localizado na esfera celeste) formado pela vertical traçada diretamente para cima a partir da cabeça de um observador. Nadir é o ponto diametralmente oposto.

(**) E=mC2 – A fórmula da relatividade geral de Einstein. E = energia; m = massa; C = constante universal (velocidade da luz). Então, a energia e igual à massa vezes a velocidade da luz ao quadrado. A energia, portanto, pode se transformar em massa ao quadrado da luz ou em movimento (velocidade), ou cada um deles relativamente um no outro – movimento em energia ou em massa, reciprocamente. Esse é o princípio utilizado na fissão nuclear.

(***) entropia – A entropia é uma grandeza termodinâmica que mensura o grau de irreversibilidade de um sistema, encontrando-se geralmente associada ao que se denomina por “desordem”; tudo no universo parece que tende de uma “ordem” a uma “desordem”, ou do “simples” para o “complexo”, irreversivelmente. Ex. 1) Um maço de folhas de papéis atirado ao vento não cairá de forma ordenada a novamente formar o mesmo maço; 2) O universo surgiu de uma singularidade – um ponto muito simples, denso e ordenado que a tudo continha – e, após a grande inflação, formou a diversidade complexa dos átomos e, daí, as galáxias.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s