Entendendo porque o ex-militar e deputado Jair Messias Bolsonaro pode vir a ser o novo presidente do Brasil – uma análise do fenômeno político social.

Os jornalistas (das diversas correntes ideológicas) estão absolutamente chocados e desconcertados sem entender por qual motivo Bolsonaro vem simplesmente subindo e liderando todas as pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2018. Sua trajetória de crescimento parece ser bastante semelhante à do magnata Donald Trump, que veio subindo e vencendo todas as etapas da Convenção do Partido Republicano nos Estados Unidos da América (EUA) a caminho da presidência.

No início, tratavam jocosamente. Um palhaço, um bufão. Uma figura histriônica e ridícula. Entretanto ele prosseguiu. A meio caminho andado previamente à afirmação de uma real candidatura, diziam ser uma pequena surpresa que nunca passaria. Afinal, diziam eles, “convenhamos que o preconceito, o retrocesso e o politicamente incorreto atualmente não mais teriam vez”. Agora, já próximo ao início das disputas, Bolsonaro se mantém firme, superando as expectativas no desembaraço prévio da exposição de ideias frente ao jornalismo político e deixando para trás, em um rastro de lama atirada por sua carruagem desenfreada, quaisquer eventuais candidaturas das correntes opositoras e das demais ideologias .

Mas o que aconteceu, que vem levando Bolsonaro a essa possível vitória?

A aposta de Bolsonaro é mobilizar e entusiasmar a base da classe média brasileira, a família, a classe conservadora. Se ele conseguir 70% dessa fatia do eleitorado, conseguirá derrotar a coalisão das minorias raciais, dos militâncias homossexuais, dos jovens socialistas e das mulheres feministas, todos liderados pelos partidos de esquerda.

Mas quem são essas pessoas que votam em Bolsonaro? Em uma análise franca, para essa pergunta, podemos considerar a seguinte resposta:

São os descontentes. Pessoas que estão decepcionadas. Pessoas que se sentem abandonadas, deixadas para trás e em desvantagem em relação aos privilégios. São pessoas com ressentimentos, alguns justificados, e que sentem que, mesmo sendo a maioria, seus direitos foram levados para um lugar distante. Elas acham que um candidato de esquerda continuará com esse abandono e estão desesperadas para acabar com isso. Elas veem a atuação, até então, dos próprios partidos que se dizem de direita como muito tímida. Muito branda, muito fraca, muito acomodada. Incapaz de os proteger. E elas estão cansadas disso.

Então, esse “homem de verdade”, o “opressor” Bolsonaro apareceu e prometeu esmagar os inimigos! E seu estilo é tão belicoso quanto o das militâncias esquerdistas… até mais ainda. E muitas pessoas responderam a isso e disseram: Sim, é disso que precisamos. É o que precisamos aqui e agora. “Chega de boa educação! Chega de cortesia! Chega de leniência! Chega de direitos humanos! Chega de civilidade!” Essas pessoas estão dizendo: “Que homem condescendente, que nada! Que homem sóbrio, reservado e sensível, que nada! Chega disso!” E, o mais importante: “Chega de corrupção!” Muita gente disse: “Precisamos de um homem bruto, duro e firme. Um homem com colhões… Um f.d.p.! Precisamos de alguém que vá dar conta do recado.”

Esta, provavelmente, poderá ser a reedição do perfil nacionalista brasileiro, desde os acontecimentos de 1964.

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